
(Para o jornalista e literato Fernando Soares)
Levedados
com desvirginadas tristuras
recém moídas pela pele
do silêncio
nossos olhares se cozerão
como um febo que arde a fronte frescal
e essa queima é a singela coerção
dos nossos servilismos
às frouxas verdades
onde a proeza
de nos escondermos
(nós que nos falamos poetas)
atrás do véu tecido em brasa
desnuda-se em mil quereres
ante a ordenha das horas
contaminadas pelas fomes arroxeadas
que se deitam ao sereno
no morno colo
dos estômagos mirrados.
Faz frio e a madrugada dos bêbados
foge com o vento que uiva feroz
e a volúpia incurável da grandiloqüência
está em nós (tal o aplanamento das órbitas)
como os letárgicos murmúrios
estão para as papoulas emplumadas
e agonizam à mercê de narinas e ermidas
até que não caibam
em gargantas — insalubres.
Apesar das lonjuras de vagões
o altruísmo do fumo em pranto
já não é o mesmo néctar
e nem os algoritmos nus fumascentos
e nem os enrelvamentos crus dos outeiros
e nem a germinação dos coitos de arpões
evitam a covardia dos lerdos
tombos no cio.
De repente tudo escarra:
Um poema (recatado)
acolchoa limosas vaginas
e arremessa
nossas inconsciências corrugadas
para além
dos pulgões de quinas...
(Ai...!)
Somos em nós
os rojões de desinibidos glúteos
planando com os cânones
de embebedados testículos
e gabamos pêndulos
e fustigamos flamas
de frio corrimento...
Somos em nós
as hígidas penetrações e abalos alavancados
com as talhas de espinhos e quefazer...
Somos em nós
a fricção violenta do cadafalso
com o fulgor labiríntico
do pêco erotismo...
(Ai...!)
Por fora a lágrima enrijece!
Mas as nossas sombras
— quando depuradas dos clitóris voláteis
das amêndoas hospedeiras —,
seguem em nós
como os insurrectos desejos
que viajam da ponte para o sempre,
sob mofa ejaculação.
© Benny Franklin
Fotografia (Angel) gentilmente cedida por "Ana Morkazel".
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